A medicina convencional, baseada na alopatia, no combate aos sintomas e em intervenções de modo geral agressivas ao organismo do paciente, está aos poucos perdendo a sua posição hegemônica nos países ocidentais. Surpreendida pela revolução comportamental que varreu o Ocidente nas últimas décadas do século XX, questionando vários dos princípios iluministas que regem a cultura européia - e seus herdeiros nas Américas -, a medicina convencional passou a dividir espaço com a homeopatia, a acupuntura, a ioga, a meditação e dezenas de outras práticas terapêuticas não-invasivas, quase todas de origem oriental, antes confinadas entre nós ao terreno do curandeirismo.
Chame-se a isso de medicina alternativa ou complementar, integrativa ou holística, a verdade é que algo está mudando numa área vital para as pessoas: a manutenção da saúde. E a tendência de mudança não reflete apenas o interesse dos indivíduos por tratamentos mais suaves e com menos riscos de efeitos adversos. Há ai também indícios de uma abertura em direção a um novo paradigma científico, cujo impacto na maneira de o homem lidar com a medicina, com as doenças e com sua própria vida promete ser avassalador.
A velocidade com que as coisas estão acontecendo espanta. Atualmente, 75% das escolas de medicina dos Estados Unidos oferecem cursos de especialização em terapias alternativas ou desenvolvem estudos sobre o tema. Calcula-se que metade dos 270 milhões de americanos costuma recorrer a algum tipo de tratamento não-convencional.
O fenômeno se repete no Brasil, ainda que em menor escala.
Segundo alguns médicos mais céticos, o que funciona nos tratamentos alternativos é o efeito placebo. Outros profissionais acreditam que o efeito placebo é uma conseqüência da participação do estado psíquico na cura do paciente, o leva a inferir que a saúde física resulta do bem-estar psicossomático. Já alguns cientistas, que vislumbram a possibilidade de encontrar novas técnicas de terapia médica, dedicam suas pesquisas nessa área. É o caso do pesquisador Jack Benveniste, que comprovou que preparações homeopáticas são capazes de degranular basófilos humanos.
As principais linhas terapêuticas alternativas são:
Homeopatia
Reconhecida oficialmente pelo Conselho Federal de Medicina como especialidade médica, trata doentes com doses muito diluídas de substâncias cuja ação, em doses maiores provoca os mesmos sintomas da doença a ser tratada. Defende a tese de que o indivíduo deve ser medicado de acordo com as características de sua personalidade.
Acupuntura
Prática milenar chinesa. Atua por meio de estímulos em pontos específicos do corpo do paciente. Em geral, esses estímulos são feitos com agulhas especiais, mas também podem ser elétricos, térmicos, magnéticos, luminosos e químicos. Cada ponto está relacionado ao funcionamento de um órgão ou sistema. Baseia-se na idéia de que o universo é regido por forças opostas e complementares. A saúde é resultado do equilíbrio entre elas.
Calatonia
Terapia corporal desenvolvida na década de 40 pelo psicoterapeuta Pether Sandor. Seu método se constitui em toques suaves com as mãos sobre o corpo do paciente.
Fitoterapia
Apoiada nos princípios ativos presentes em algumas plantas recorre ao uso de chás, infusões, ungüentos e xaropes de folhas, raízes e flores, para o restabelecimento da saúde ou prevenção de doenças. Alguns centros de pesquisa já descobriram propriedades farmacológicas e clínicas em várias plantas adotadas como remédio pela população.
Florais de Bach
Essências de 38 flores diluídas em conhaque, desenvolvidas pelo médico inglês Edward Bach, na década de 30, às quais se atribuem propriedades curativas. Têm como pressuposto que as plantas possuem vibração energética, que podem tratar de problemas como depressão, insônia, ansiedade e medo.
Quiropatia
Desenvolvida pelo médico norte-americano David Palmer e que consiste em liberar nervos através da manipulação precisa da coluna. Através dessa prática é possível aliviar dores de coluna e também vários outros males que aparentemente não estão ligados à coluna, como enxaqueca, gastrite e até certos tipos de surdez.